Sobre Perder o Medo Da Folha Em Branco

Na infância, quando ainda não falamos e nem escrevemos corretamente, usamos o desenho como forma de expressão. E conforme vamos aperfeiçoando a nossa fala e escrita, a maneira livre de desenhar vai ficando adormecida.

Tenho pensado muito sobre isso. Pois vejo adultos que travam diante de uma folha em branco, enquanto crianças desenham livremente sem pré julgamentos. E onde erramos? Por que essa forma tão primitiva de expressão ficou lá na infância? 

  
Olha que riqueza essa caligrafia! E as capas encadernadas a mão? Uma mais linda que a outra.
Visitei a exposição permanente do espaço Olavo Setúbal no Itaú Cultural, 
e essa é apenas uma das maneiras em que treino meu olhar e alimento minha criatividade. 

Eu mesma, que desenhava desde criança e me mantive firme na adolescência, cheguei a fase adulta com receio do desenho a mão livre. Acredito que quando começamos a trabalhar, mesmo que seu trabalho envolva criatividade - como no meu caso, a arquitetura - você acaba focando em pontos que são fundamentais para o projeto/obra, como planejamento de custos, logística, prazos, e o desenho em si vai ficando em segundo plano.

Por mais que o desenho seja minha ferramenta de trabalho, ele é um desenho técnico, feito em computador e com regras a serem seguidas. E quando me vi com a necessidade de me libertar das medidas exatas, fui atrás de cursos, fui atrás da Andréa de antigamente, que jamais teve medo de uma folha em branco.

    
Mais uma parte da exposição. É um espaço muito lindo e cheio de inspirações. Se na sua cidade não tem museus ou você já conheceu todos, faça um passeio virtual, hoje em dia os principais museus do mundo tem suas obras registradas.

E logo no início me senti intimidada. Claro, fazia anos que eu só pegava a lapiseira para fazer móveis com medidas exatas, incluindo os milímetros...jamais iria conseguir me libertar do escalímetro (régua com várias escalas que usamos muito na arquitetura), e mesmo se fosse colocar uma mesa na sala, a distância dela da parede deveria ser exata.

Mas venho trabalhando isso há alguns anos. E acredito que recuperei aquela menina sonhadora e criativa, que sempre viveu feliz cercada de papéis e lápis de cor. Uma citação do livro " Roube Como Um Artista" que gosto muito é: " NÃO JOGUE FORA NENHUMA PARTE SUA". E é verdade. Pense na pessoa que você foi, e se sentir saudade, tente trazê-la de volta. Não abandone seus sonhos, por mais dura que a sua vida seja, tente se reconectar e buscar sua essência. Parece clichê, mas ninguém consegue viver feliz por muito tempo deixando suas origens de lado.

Andando pela Av. Paulista eu quis registrar essa fachada. Achei que daria um belo padrão para tricotar ou crochetar. E eu passo por essa avenida sempre, mas neste dia meu olhar estava mais apurado. Ou seja, tente olhar para seu caminho como se fosse a primeira vez. 
Tenho certeza que você vai se surpreender.

Há alguns meses, recebi um convite da minha amiga querida Lu Gastal para gravar um vídeo sobre meu processo criativo, e ela fez um compilado com várias pessoas inspiradoras e taí o resultado. Espero que ajude a entender como todos somos seres criativos. Só precisamos treinar o olhar.

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