Pular para o conteúdo principal

Como Tudo Começou...Arthé Store

 Há algum tempo venho pensando qual o meu objetivo com a minha marca.

Quando comecei a costurar em 2012 jamais imaginei que ela seria parte importante da minha renda. O momento era tenso, meu pai doente, sem perspectivas de melhora, eu cansada por trabalhar o dia todo e a noite passar no hospital para vê-lo, chegava em casa tarde, muitas vezes sem fome e não conseguia dormir. No outro dia tudo se repetia. 

Decidi sair do escritório no final de 2011 e trabalhar em casa, assim teria horários mais flexíveis e se por acaso não conseguisse dormir, poderia acordar mais tarde e trabalhar a noite. Eu tinha 33 anos, no auge da carreira.

Durante alguns meses ele ficou em casa, o fato de não ir ao hospital diariamente fez muito diferença. Procurei alguma coisa para fazer, que fosse ligada ao manual, algo que sempre gostei. Cheguei até uma escola de costura e me matriculei.

Aquelas aulas foram muito importantes para mim. Meu pai ainda conseguiu ver algumas peças que eu costurei. Aprender algo novo, fora do mundo da arquitetura e desenho, me abriu caminhos. Eu já dançava há bastante tempo, mas me faltava o fazer a mão que fez parte da minha infância e início da faculdade.

No final de 2012 ele faleceu. Tanto para resolver enquanto a minha vontade era apenas ficar quieta no meu canto, costurando. Sim, a costura me manteve motivada, eu conseguia pensar no futuro, fazer planos, apesar da dor e sofrimento do meu presente.

Fazia projetos de arquitetura e nas horas vagas costurava. Alguns familiares e amigos passaram a encomendar peças minhas. Eram bolsas, cestos, itens para futuras mamães, produtos bem diversificados. 

Em 2013 (ou 2014 não me recordo) fiz um curso de crochê. Apesar de ter aprendido os primeiros pontos com minha mãe eu precisava de aulas para perder a "preguiça" de tecer. Quando eu pensava que para uma peça ficar pronta eu teria que fazer pontinho por pontinho, aquilo me dava desânimo, e as aulas me ajudaram a aprimorar a técnica e entender que leva tempo, mas que tem um fim.

O crochê começou a ganhar espaço na minha rotina, e então fiquei com vontade de aprender o amigurumi. Gostei tanto que achei que viveria disso, vendendo somente os bichinhos fofos de crochê. Tudo isso em paralelo com os projetos de arquitetura.

Ainda me encanto com o universo dos amigurumis. Da Vinci e Dali,
 a coleção de pintores da Pupi Popi é incrível.

Mas minhas mãos não aguentaram, precisei de sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e decidi que o crochê seria apenas como hobby. Fazemos planos e nem sempre a vida segue os caminhos planejados.

Em meio a tudo isso e fui fazendo cursos e mais cursos. Conheci muita gente bacana, visitei inúmeras feiras, costurei bonecas, aprendi a xilogravura, fiz feltragem, stencil, tricô, crochê com fio de malha, macramê, modelagem de roupas, marcenaria, cerâmica, papel marchè, até curso de horta de temperos eu fiz.

A gana por aprender foi me invadindo. Quanto mais eu fazia cursos, mais eu queria fazer. E isso resultou num ateliê abarrotado de materiais. Cada técnica aprendida trazia consigo mais materiais. Eram apostilas, moldes, e as próprias peças desenvolvidas em aula. 

E no final eu fazia de tudo um pouco e não conseguia focar num único produto para a loja. Quem se lembra do mdf? Teve um período que produzi peças personalizadas em mdf, o cliente escolhia um nome, ou um desenho e eu fazia e mandava para cortar na máquina. Neste período surgiram as bases para cestos de crochê. Criei formatos bem diferentes, como estrela, coelho, nuvem...

A base estrela e coração foram as que mais fizeram sucesso. 

Em 2018 tive períodos difíceis com minha mãe doente. E um dia entrei no meu ateliê para por em prática uma ideia antiga que estava encostada há anos. Estampei um tecido com uma agulha de crochê e um novelo.

A xilogravura me encantava. A possibilidade de estampar as minhas próprias peças foi um fator determinante para mim. Ao invés do papel, eu poderia ir além, eu costurava e poderia criar a peça que quisesse, pois só dependeria de mim.

As primeiras sacolas para tecer surgiram, foram umas cinco ou seis peças. Com a sobra do tecido fiz uma necessaire grande, e também estampei. Me lembro de ter levado para o meu curso de tricô no Sesc e dado de presente para as profas. Depois apresentei no instagram, mostrei para algumas amigas tecelãs, e assim as primeiras se foram. 


  
Sacola pra tecer, que você pode usar no braço com uma alça só, ou com as duas. É perfeita para levar o projeto em andamento para a rua, pra a sala de espera, pro metrô.


Poucos meses depois visitei a Mega Artesanal. Fui munida de muitas peças, presenteei minhas professoras, fiz propaganda das minhas sacolas e vendi muito. Foi um divisor de águas no meu pequeno negócio.

A partir de então tirei todos os outros produtos e as sacolas e necessaires seriam o foco principal da loja. Ouvi sugestões, criticas, criei novas estampas, novos produtos, mas sempre relacionado ao mundo do fazer a mão.


Mistura de técnicas e temas, adoro a Sacola Joy.

Para me manter criativa, fiz a Sacola Joy com temas bem variados, a ideia era criar algo diferente do que eu já fazia. Assim surgiram as estampas de café, chá, máquina de escrever, costura, casinhas... Uma pessoa inquieta precisa disso para não desanimar. Por mais que eu goste dos produtos da loja, eu sempre preciso fazer alguma coisa diferente para não cair na rotina.

Hoje, em março de 2021 volto no tempo e penso no quanto produzi nestes anos. Como minha vida tomou outros rumos, e como sou feliz fazendo o que faço.







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DIY - Almofada Redonda

Nessa fase atual da vida, minha mãe feito muitos tapetes de crochê, são peças simples com fios mais grossos, e que podem ser tecidos sem maiores problemas. Almofada redonda em crochê. Adoro peças divertidas, elas fazem muita diferença na decoração, dão personalidade a casa. Numa das minhas visitas, encontrei dois tapetes coloridos, feitos com sobras dos barbantes. Um eu vou aumentar um pouco e talvez continue sendo tapete, já o outro, este eu transformei numa almofada. Tapete redondo tem diâmetro de aproximadamente 45cm. Dobrei ao meio para fazer a parte de trás com zíper. Dois pedaços de tecido e almofada dobrada como molde.   Deixei uma margem de mais ou menos dois dedos em volta. Escolhi um jeans stretcht que é mais maleável que já tinha em casa. Vamos colocar o zíper para poder tirar a capa para lavar. Separe um tecido, coloque o zíper com o cursor para baixo, e faça uma costura na parte superior, unindo os dois. Agora vamos unir a outra parte do tecido. Faça da mesma form...

Artacho Jurado - Documentário

Em 2024 visitei uma exposição no Itaú Cultural sobre a obra de Artacho Jurado (leia aqui ). Dois anos depois, um documentário lindíssimo e muito bem produzido, está disponível para quem quiser conhecer um pouco mais da arquitetura de São Paulo. O documentário está em cartaz, mas assisti pelo canal CurtaOn. E foi ótimo que pude fazer alguns registros, e pesquisar as informações conforme apareciam na tela. Edifício Verde Mar e sua laje com formas orgânicas vazadas, que traz luz, sombra e facilita a passagem do vento. Artacho escolhia muito bem os terrenos em que faria suas construções, a vista era muito importante, por isso em todos seus prédios as varandas são protagonistas.  Cores, formas, detalhes que impressionam. Não é por menos que os edifícios do Artacho são ícones e se destacam na paisagem de São Paulo. Começou como letrista, passou para os centros de exposições, depois foi para casas, até chegar aos edifícios. Assistam ao documentário, além dos profissionais, de moradores, e...

Leituras de 2025

2025 acabou e já consegui soltar este post com as leituras do ano que passou. Li menos, isso é fato, tenho priorizado a ioga, e ainda tive alguns contratempos familiares que me desviaram a atenção dos livros. Mas mesmo assim consegui atingir um número de livros considerável em se tratando de Brasil. Finalmente estou montando minha estante. Ainda tem muita coisa fora do lugar, mas estou bem animada para revisitar meus livros que estavam guardados há muitos anos. Fiz um resumo de cada uma das minhas leituras, espero que seja útil para você:  1 - Revolucionárias - Joana D´Arc e Maria Quitéria - Isabelle Anchieta. Conheci a profa Isabelle numa época em que as lives do instagram eram uma forma de nos esquecermos da pandemia em que vivíamos. Comprei os três livros dela sobre a Imagem da Mulher no Ocidente Moderno, e gostei muito. Revolucionárias, me chamou a atenção por aprofundar a história de Joana D´Arc, que eu sabia bem pouco, apenas que tinha sido queimada viva. Maria Quitéria tive...