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Casa Adaptada - Palestra com Maurício Arruda

Mais uma palestra importantíssima com um tema mais que atual: Casa Adaptada. Quero compartilhar um pouco de como foi e da minha experiência de arquiteta com esse assunto.

Lá pelos anos 2000, eu estava finalizando a faculdade de arquitetura e estagiei num escritório para fazer adaptações acessíveis aos projetos de um banco. O que seria isso? Na época estávamos fazendo ajustes nos prédios para que as pessoas com mobilidade reduzida e/ou cadeirantes pudessem entrar nos edifícios.

O quarto adaptado ficou lindo. Tem circulação boa entre os móveis, a cama da cuidadora faz as vezes de um sofá. Decoração moderna e inspiradora, eu jamais diria que foi pensado para uma pessoa com necessidades especiais.

Parece estranho, mas até então isso não era uma preocupação. E há quase 20 anos, o início de tudo foi colocar uma rampa onde existia apenas escada, e criar um banheiro maior, com todas as características necessárias para que uma pessoa com cadeira de rodas pudesse usar.

 A cama é daquelas de hospital, mas tem uma cabeceira bonita e uma roupa de cama legal, e em nenhum momento fica com cara de hospital.

Me lembro de ter feito isso com inúmeras agências e desde então nunca mais parei. O grande foco do meu trabalho como arquiteta sempre foi corporativo, ou seja, fazendo projetos para escritórios, na grande maioria, multinacionais. E sempre tem rampa e banheiro acessível nos meus projetos. Inclusive vagas para deficientes também são uma exigência da norma.

Mais do ser uma exigência, é preciso olhar para o outro com carinho e se colocar no lugar dele. Moro numa casa com escadas. Quando meu pai adoeceu tivemos muitos problemas para tirá-lo de casa - maca não sobe escada, foi o que ouvi dos enfermeiros da ambulância - e é verdade! Na parte interna, o que pude fazer para amenizar as dificuldades, foi feito. Barras de apoio no banheiro é fundamental. Até para pessoas idosas, que não tenham nenhuma dificuldade na locomoção é importante. Coloco sempre. E você pode colocar também, elas são vendidas em lojas de material de construção e existem normas com relação a altura, mas cada um sabe o melhor para si. Aprendi isso na prática, com meu pai, ele quis a barra mais alta, pois assim era mais fácil para ele se apoiar.

E é sobre isso que quero falar. Durante a palestra isso foi muito frisado pelas mulheres que estavam lá - Laís Souza, Tabata Contri e Cândida Oliveira - junto com o arquiteto Maurício Arruda. Apesar das normas, cada pessoa é única e tem necessidades específicas. Basta o profissional olhar com atenção e atender as solicitações dos clientes.

Confesso que nunca fiz uma casa adaptada, nem para os escritórios em que trabalhei e nem como autônoma. Saber da experiência do Maurício, que durante o programa Decora, fez o projeto do quarto da Cândida, o primeiro projeto acessível do arquiteto e do programa, foi incrível.

No começo todo mundo fica meio ressabiado, o novo causa estranheza, mas no final deu certo, a cliente estava lá para confirmar. O principal que ouvi delas era que a casa não tinha que ter cara de hospital. Parece que por você apresentar uma deficiência para o resto da sua vida você tem que conviver com objetos e móveis que te lembrem disso.

Depois de dois anos internado, com idas e vindas de casa para a UTI, disse que compraria uma cama de hospital para o meu pai. Ela tem vários comandos, sobe a cabeça, pernas, fica mais baixa, ou seja, inúmeras facilidades que seriam interessantes para nós. Mas ele não quis - desculpa pai - e ele tinha toda a razão. Hoje entendo melhor isso.

"é importante falar sobre as pessoas e não sobre você, 
sobre sua assinatura, sobre seu escritório."
Maurício Arruda

Os projetos devem ser mais acessíveis e não 100% acessíveis. Pensar na questão das barras de apoio nos banheiros, corrimãos nas escadas, mesas com cantos arredondados, sem tapetes. A casa deve acompanhar a vida da pessoa, as mudanças que vão acontecer ao longo dos anos, seja um acidente temporário, uma doença grave e até mesmo a velhice.

Para o projeto da cozinha, todos os itens foram comprados em lojas convencionais, a questão foi resolvida apenas com a altura correta e a retirada de armários embaixo da cuba e do fogão, a colocação de espelhos para ajudar a ver a comida, itens que eles foram descobrindo na conversa com a personagem do programa. Achei muito inspirador.

Hoje em dia penso muito sobre isso, sobre tornar mais leve a vida de quem precisa de mais cuidados.











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