Diários da Quarentena - Textos, Desenhos e Orações

Lá em março eu não imaginei que fossemos passar tantos meses em casa, saindo apenas quando necessário para fazer compras ou ir a farmácia. E aquele primeiro momento me deixou muito apreensiva.

Um dos meus primeiros impulsos foi pegar um caderninho e começar a escrever meus sentimentos, que estavam bem confusos. Fazer diário nunca foi para mim, sou bem reservada e não gostaria que outras pessoas pegassem meus escritos para ler.

Este caderno eu ganhei de uma prima querida e já tem muitas coisas escritas, mas 
decidi usá-lo para meu diário também.

Anos depois, mais precisamente em janeiro de 2013 criei um blog chamado Eu Mesma Fiz. As primeiras postagens ainda estão aqui, e colocava fotos das bolsas que eu estava aprendendo a costurar - fotos bem mal tiradas por sinal - pouco escrevia; mas o tempo foi passando e ele virou uma forma de extravasar meus sentimentos - no final de 2012 meu pai faleceu depois de quase dois anos doente.

Aquela que não gostava de demonstrar os sentimentos agora tinha um blog, onde qualquer pessoa podia ler, entrar no meu infinito particular. E assim foi, aprendi a gostar deste espaço, de compartilhar meus aprendizados, de trocar com outras pessoas, de contar um pouco da minha família, da minha história, de divulgar minha loja. São quase oito anos!

Aquarela da Casinha que a Lu tem lá no interior do Rio Grande do Sul.

O caderninho / diário da quarentena está parado desde o final de junho. Não senti mais vontade de escrever. Ele foi sim importante para mim durante os meses mais difíceis, mas agora me sinto bem, apesar de ainda não estarmos totalmente livres dessa pandemia, acredito que aprendi a lidar com ela e com os meus sentimentos.

   
Desenhos despretensiosos, feitos sem muita preocupação, o importante é olhar a foto e reproduzir o sentimento que aquela imagem te traz.

Além do diário, fazer desenhos/aquarelas de fotos tiradas por pessoas nas redes sociais, tem sido um exercício gostoso. Desenhar me faz bem, e aproveito para conhecer o mundo através do olhar de outras pessoas, visito cidades no Brasil, no exterior, paisagens naturais, paisagens medievais, casas antigas - as minhas favoritas - e assim vou preenchendo outro caderninho.

Mini caderninho, vieram quatro numa caixinha, e estou usando para as orações.

Mais uma prática que fiz foi criar o meu caderno de orações. Sigo um perfil no ig que chama-se Livrinhos. Eleanor faz livrinhos de orações a mão, uma riqueza. Sou admiradora deste trabalho há anos. E durante a quarentena peguei outro caderninho (tenho vários) para começar a escrever orações. O ideal era escrever uma por dia, mas não consegui ainda.

Talvez estes registros sejam importantes no futuro, quando eu olhar para trás e quiser recordar de como foi passar por isso, de como a nossa geração tão cheia de facilidades, teve que se reinventar e aprender a aceitar que nem tudo é como queremos. Tem sido um bom aprendizado.




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