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A Máquina dos Sonhos...

Cresci numa casa onde se costurava. Herança da minha avó materna, que fazia as roupas dos próprios filhos. Quase todas as filhas (que não são poucas, por volta de 7) adquiriram o mesmo hábito e fizeram dele uma profissão.

Mas minha mãe não. É professora, mas mesmo tendo uma profissão acabou fazendo cursos de corte e costura, comprou uma máquina, e cresci assim, neste ambiente, vendo minha mãe fazer algumas saias, cortinas, barras de calça...

Na mesma casa, minha tia fazia tricô na máquina. As blusas de lã ficavam lindas com as diversas cartelas de bordado. Mas também tinha uma máquina de costura, daquelas antigas, onde só existe o ponto reto.

O tempo passou, as coisas mudaram. Minha tia não morava mais conosco. Minha mãe aposentada ainda fazia suas peças de costura. O tricô a mão e o crochê também faziam parte de seus dotes. Além da pintura. Ah, este sim, este eu adquiri. Desde muito cedo minha felicidade era um pedaço de papel e uma caixa de lápis de cor. E por gostar tanto do mundo das cores, dos trabalhos manuais fui fazer arquitetura.

Nos anos de curso muito coisa aprendida. Muito tempo dedicado a faculdade. E os trabalhos manuais feitos em casa quando criança já não tinham mais espaço. Agora tudo era preenchido com a história da arte, da arquitetura, do urbanismo...Amando a nova fase.

Comecei a trabalhar. A vida num escritório é bem diferente. Prazos, custos, fornecedores...clientes. Muita burocracia. Cadê o mundo das cores? Havia sumido? Não totalmente. Ás vezes ficava em segundo plano para se adequar às questões financeiras, executivas...dentre outras. Mas mesmo assim gostava da profissão. Nunca havia feito nada diferente daquilo em toda a vida.

Mais mudanças, a vida é assim. Meu pai adoeceu. Ele que sempre fez tudo em casa estava agora bem debilitado. Eu precisava me informar mais da casa, de como tudo funcionava para conseguir suprir os momentos em que ele não podia estar.

Passei a trabalhar em casa, autônoma. Ficava mais tranquila estando perto dos meus pais nesse momento tão sofrido. E entre um projeto e outro tive um insight: - Mãe, me ensina a pregar um zíper? A fazer uma barra? Me ensina a costurar?

E assim, do nada (apesar de não acreditar que as coisas aconteçam por acaso) sentei a primeira vez na vida em frente a máquina de costura. Minha mãe me passou um pouco dos seus conhecimentos e lá fui eu. Começo com dificuldades, linha enroscava, bobina acabava, não sabia passar a linha na máquina, para tudo a chamava. Mas o tempo dela era curto. Tinha meu pai para cuidar, a casa. Uns meses se passaram. Fiz um vestido, uma saia xadrez e uma bolsinha a tira colo. Nossa, quanta felicidade! Fui atrás de blogs e cursos para aprimorar meus poucos conhecimentos. Um novo mundo se abria para mim! O mundo da costura!

E no meio de tanta felicidade lembrei da máquina de costura que minha tia usava aqui em casa. Uma pretinha, de ferro, com o gabinete grande, uma roldana do lado para dar movimento ao pedal. Nossa, que saudade daquela época. Como eu nunca tive vontade de aprender a costurar, de sentar numa máquina tendo pelo menos duas ao meu redor? Pois é, coisas sem explicação.

Conversando com minha tia, pedi a máquina para mim quando ela não a usar mais. Espero que isso ainda demore muitos anos! E como minhas recordações dela, da máquina, eram bem antigas, gostaria de revê-la o quanto antes. Agora a pretinha de ferro estava numa cidadezinha no interior de Minas Gerais. Desde que me envolvi com a costura não pude ir até lá. Questões familiares me mantinham por aqui.

E nesta semana lá fui eu. Chegando na casa uma das primeiras coisas que pedi era para ver a máquina! E este momento foi mágico! Muitas lembranças, e como ela estava lá, bonitinha e funcionando ainda. Vigorelli a marca dela. Agora compartilho com vocês minha emoção.




Num dos momentos mais difíceis da minha vida familiar surgiu a costura para me dar um novo rumo, um norte e ter vontade de seguir em frente. A vida é assim mesmo, cheia de surpresas e momentos mágicos. Viva a vida!




Comentários

  1. Adorei a sua história Andréia ,mora em Osasco SP tem uma vizinha minha que adora costurar ela é manicure nas poucas horas vagas que ela tem ela costura às roupas dás filhas e neta inclusive a família dela é de Minas Gerais uma pequena cidade chamada Rio vermelho eu ganhei uma máquina do vizinho e dei para ela que simplesmente adorou.

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    1. A costura sempre traz boas histórias, não é? Tem mais de 10 anos que aprendi a costurar e é uma maravilha. Obrigada por compartilhar essa história comigo.

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