Pular para o conteúdo principal

Presentes Que Não Combinam Comigo - O Que Fazer?

Dia destes recebi umas fotos de objetos e quadros que fiz para minha prima, ela queria saber se tinha como lavar/recuperar pois estavam sujos devido ao uso de 10 anos.

Das muitas xilogravuras que fiz no curso, isso em 2013. Grande parte das minhas tias e primas receberam quadros delas.

O espelho com borda de crochê não teria como lavar, pois a estrutura era um bastidor de madeira. O outro era uma xilogravura que ficou com as bordas amareladas, provavelmente pelo excesso de tinta - eu estava aprendendo a manipular a entintagem naquela época - seria possível tirar a moldura e fazer um paspatur (ou em francês passe-partout) cobrindo a mancha, e resolveria.

Respondi com as informações acima e acrescentei que ela poderia não usar mais, afinal ficaram 10 anos decorando a varanda dela, e cumpriram seu papel. E que eu mudei minha forma de pensar e não sairia dando peças assim para todos, afinal o que você vai colocar na sua parede é algo muito pessoal, muito íntimo, tem que ter relação com os moradores.

Aquarela que fiz da casinha da Lu Gastal, ela gostou tanto que enviei para ela. Ao lado uma outra aquarela da fachada da Novelaria, encomenda que elas me fizeram. Neste caso, as duas me pediram e não apenas dei de presente sem saber se agradaria ou não.

Na época eu estava empolgada, tinha aprendido a costurar, a fazer crochê, tava com o blog, estava presenteando todo mundo com as minhas criações, e não pensei sobre isso, se a pessoa gostaria daquilo ou não.

Ela me mostrou outras peças que também estão nas paredes, como o bordado em ponto cruz dos nossos avós, este eu tenho certeza que faz sentido, tem a ver com laços familiares, mas os outros, talvez não. 

Quando li o livro da Marie Kondo já comecei este processo de mudança. Por quantos anos guardamos presentes, sejam roupas, ou objetos que não usamos, não gostamos, só para agradar quem nos deu? O presente cumpre seu papel assim que foi recebido, caso você não use ou não goste, passe a diante, troque, doe...ele pode ter sentido em outro lar, em outra família.

 
Das primeiras santinhas que fiz, este com certeza foi um presente muito acertado.

Uma das minhas primas se mudou do Brasil e levou com ela uma Nossa Senhora de Fátima que fiz em crochê para ela. Foi uma das minhas primeiras peças, imagina a minha surpresa quando ela me disse que tinha levado a santinha? Pense nas escolhas que você precisa fazer quando muda de país, o tanto de coisa que tem que deixar para trás e levar apenas o que cabe em duas malas? Neste caso eu conhecia bem a devoção dela, sabia que tinha sentido aquele presente.

Pense nisso na hora de escolher o que dar, e jamais pergunte a quem você presenteou onde está a peça, se você não gostou da roupa...

Voltei depois de um dezembro de muito trabalho e já trazendo reflexões para este início de ano.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DIY - Almofada Redonda

Nessa fase atual da vida, minha mãe feito muitos tapetes de crochê, são peças simples com fios mais grossos, e que podem ser tecidos sem maiores problemas. Almofada redonda em crochê. Adoro peças divertidas, elas fazem muita diferença na decoração, dão personalidade a casa. Numa das minhas visitas, encontrei dois tapetes coloridos, feitos com sobras dos barbantes. Um eu vou aumentar um pouco e talvez continue sendo tapete, já o outro, este eu transformei numa almofada. Tapete redondo tem diâmetro de aproximadamente 45cm. Dobrei ao meio para fazer a parte de trás com zíper. Dois pedaços de tecido e almofada dobrada como molde.   Deixei uma margem de mais ou menos dois dedos em volta. Escolhi um jeans stretcht que é mais maleável que já tinha em casa. Vamos colocar o zíper para poder tirar a capa para lavar. Separe um tecido, coloque o zíper com o cursor para baixo, e faça uma costura na parte superior, unindo os dois. Agora vamos unir a outra parte do tecido. Faça da mesma form...

Artacho Jurado - Documentário

Em 2024 visitei uma exposição no Itaú Cultural sobre a obra de Artacho Jurado (leia aqui ). Dois anos depois, um documentário lindíssimo e muito bem produzido, está disponível para quem quiser conhecer um pouco mais da arquitetura de São Paulo. O documentário está em cartaz, mas assisti pelo canal CurtaOn. E foi ótimo que pude fazer alguns registros, e pesquisar as informações conforme apareciam na tela. Edifício Verde Mar e sua laje com formas orgânicas vazadas, que traz luz, sombra e facilita a passagem do vento. Artacho escolhia muito bem os terrenos em que faria suas construções, a vista era muito importante, por isso em todos seus prédios as varandas são protagonistas.  Cores, formas, detalhes que impressionam. Não é por menos que os edifícios do Artacho são ícones e se destacam na paisagem de São Paulo. Começou como letrista, passou para os centros de exposições, depois foi para casas, até chegar aos edifícios. Assistam ao documentário, além dos profissionais, de moradores, e...

Leituras de 2025

2025 acabou e já consegui soltar este post com as leituras do ano que passou. Li menos, isso é fato, tenho priorizado a ioga, e ainda tive alguns contratempos familiares que me desviaram a atenção dos livros. Mas mesmo assim consegui atingir um número de livros considerável em se tratando de Brasil. Finalmente estou montando minha estante. Ainda tem muita coisa fora do lugar, mas estou bem animada para revisitar meus livros que estavam guardados há muitos anos. Fiz um resumo de cada uma das minhas leituras, espero que seja útil para você:  1 - Revolucionárias - Joana D´Arc e Maria Quitéria - Isabelle Anchieta. Conheci a profa Isabelle numa época em que as lives do instagram eram uma forma de nos esquecermos da pandemia em que vivíamos. Comprei os três livros dela sobre a Imagem da Mulher no Ocidente Moderno, e gostei muito. Revolucionárias, me chamou a atenção por aprofundar a história de Joana D´Arc, que eu sabia bem pouco, apenas que tinha sido queimada viva. Maria Quitéria tive...