Não conhecia a artista visual britânica Es Devlin, pelo menos não de nome. Quando vi algumas imagens da exposição dela na Casa Bradesco aqui em São Paulo, já sabia que estaria no meu radar para visitar.
Famosa por fazer o palco de artistas como Beyoncé, Lady Gaga e The Weeknd, a cenógrafa apresenta a sua primeira mostra em terras brasileiras, são seis instalações imersivas - aliás o que anda muito em alta nos últimos anos e a tal da exposição imersiva, da qual você consegue interagir com as obras.
As projeções sobre a estante de livros, a narração da artista, para no final, duas delas se abrirem e nos mostrar a instalação principal: O Labirinto de Espelhos.A primeira sala nos vemos sentados diante de estantes de livros, a Biblioteca Infinita, com projeções de imagens e a voz de Es Devlin nos preparando para o que vem a seguir: O Labirinto de Espelhos. Dois andares repleto de espelhos por todos os lados, inclusive nas escadas, nossa imagem se multiplica, se fragmenta, se encontra com a do outro...
Uma loucura esse labirinto. Só estando lá para entender a dimensão e as possibilidades de ver nossa imagem refletida.
Voltar para a Casa é a próxima sala. Nos espelhos focamos em nós, nessa, olhamos para fora, para o que nos cerca. Várias camadas de imagens da fauna e flora, com jogo de luzes e sons, uma combinação arrebatadora. Precisei de alguns minutos para entender a riqueza daquilo tudo. E fui pesquisar com foi feito, afinal sou uma "fazedora de coisas" e essa parte me interessa.
Entrei na sala escura, com um som que mistura natureza e vozes, e ao fundo, um jogo de luzes e sombras, me deixou totalmente impactada.
"O Processo Criativo: Um Ato de Meditação
Para criar essa obra, Es Devlin passou meses em um processo manual, íntimo e quase meditativo. Ela desenhou à mão livre 243 espécies que habitam a região de Londres e que estão seriamente ameaçadas de extinção, entre pássaros, insetos, fungos e plantas.
No espaço expositivo da Casa Bradesco, esses desenhos ganham uma escala monumental. A artista faz uma belíssima colagem que brinca com camadas de profundidade, recortes e projeções de luz e sombra, transformando os traços de papel em uma estrutura que parece viva."
Na próxima sala, uma mesa enorme com rolo de papel e material de desenho estava disponível para que os visitantes continuassem desenhos iniciados pela artista. Um trabalho coletivo, com outras perspectivas, o resultado deve ser muito interessante. E agora me arrependi de não ter feito nenhuma linha...só dei uma olhada e segui para o restante.
Repare que alguns papéis estavam disponíveis para retirar. Não eram todos, pude olhar com calma e escolher o meu. Alguns estavam muito altos, e não tinha como alcançar.Ao final mais uma parede repleta de imagens, projeções e áudios nos levam para o fim da jornada. E mais uma vez você interagi com a obra, retirando uma folha de papel desenhada, que faz parte do todo. Talvez seja difícil explicar, muitas exposições foram feitas para sentir. Essa é uma delas.
Alameda Rio Claro, 190 – Bela Vista, São Paulo/SP
Até 27 de julho (terça a domingo, das 12h às 20h)
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